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Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira e amplia clima de insegurança no sistema financeiro em 2026

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    Redação
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Entenda sobre o impacto da liquidação para investidores


O ano de 2026 começa com mais um duro abalo no sistema financeiro brasileiro. O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, que já se encontrava sob liquidação extrajudicial desde novembro de 2025.


Foto: Divulgação Banco Central
Cartão da Will Financeira. Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição nesta quarta-feira (21). Foto: Divulgação Banco Central.

A decisão, publicada oficialmente pelo Banco Central, interrompe de forma imediata todas as atividades da Will Financeira e altera drasticamente a relação da instituição com seus clientes, investidores e parceiros. Operações como transferências, uso de cartões, novos contratos e acesso a valores depositados ficam suspensas a partir da decretação.


Por que a Will Financeira foi liquidada

Segundo o Banco Central, a liquidação tornou-se inevitável após a constatação do comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira, caracterizando um quadro de insolvência. Um dos fatores decisivos foi o descumprimento da grade de pagamentos junto ao arranjo Mastercard, ocorrido no dia 19 de janeiro, o que levou ao bloqueio da participação da instituição no sistema de pagamentos.


Inicialmente, quando o Banco Master teve sua liquidação decretada em novembro de 2025, o BC avaliou que ainda seria possível preservar o funcionamento da Will Financeira por meio do Regime Especial de Administração Temporária (RAET) aplicado à sua controladora. Essa alternativa, no entanto, não se mostrou viável.


O impacto direto na vida dos correntistas

Para os correntistas, o impacto é imediato e angustiante. A partir da liquidação, o cliente deixa de ser usuário de um serviço financeiro ativo e passa a ocupar a posição de credor no processo de liquidação. Isso significa que o dinheiro depositado ou investido não pode ser movimentado livremente e passa a integrar o passivo da instituição.


O pagamento desses valores dependerá do levantamento de bens, créditos e garantias da empresa, trabalho que será conduzido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central, seguindo rigorosamente a ordem prevista em lei. Na prática, isso gera incerteza, espera e apreensão para milhares de pessoas físicas e jurídicas.


E os investidores, o que podem esperar?

Investidores também enfrentam um cenário delicado. Aplicações financeiras realizadas na Will Financeira ficam sujeitas ao mesmo processo de apuração e pagamento conforme a disponibilidade de recursos da massa liquidada. Não há prazos imediatos definidos, e cada caso dependerá do tipo de produto contratado e das garantias associadas.


O papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Em meio à turbulência, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) surge como um importante instrumento de proteção. O fundo garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conjunto de produtos elegíveis mantidos na instituição.


Estão cobertos saldos em conta corrente, poupança e investimentos como CDB, RDB, LCI e LCA, respeitando as regras do fundo. No entanto, o próprio Banco Central alerta que, em conglomerados financeiros, o valor efetivamente garantido pode variar conforme a data de emissão dos títulos e o enquadramento da instituição.

O caso do Grupo Master já pressiona fortemente o sistema: o FGC vem pagando mais de R$ 40 bilhões a investidores, e com a liquidação da Will Financeira, o passivo total do grupo chegou a R$ 47 bilhões, valor que representa mais de um terço do patrimônio do fundo garantidor.


Um sinal de alerta para o sistema financeiro

Embora o Conglomerado Master fosse classificado como de pequeno porte, com participação inferior a 1% no total de ativos e captações do Sistema Financeiro Nacional, a sucessão de liquidações reacende o debate sobre governança, fiscalização e confiança no setor financeiro.


O Banco Central informou que continuará apurando responsabilidades e que o resultado das investigações pode gerar sanções administrativas e comunicações a outras autoridades. Conforme determina a lei, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.


Um começo de ano marcado por incertezas

A liquidação da Will Financeira, logo nas primeiras semanas de 2026, aprofunda um clima de insegurança entre correntistas e investidores, especialmente após o escândalo envolvendo o Banco Master. Mais do que números e decisões técnicas, o episódio afeta diretamente a vida de pessoas que confiaram suas economias a uma instituição financeira.

Em tempos de instabilidade, informação clara, responsabilidade institucional e proteção ao cidadão tornam-se ainda mais essenciais.

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