O império de Valentin Tramontina
- Cláudia Gomes

- 5 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de mar. de 2020
Quem não conhece os produtos da marca Tramontina? Hoje, a empresa bilionária que já está presente em mais de 120 países vem tendo sua história contada de maneira equivocada. Reza a lenda que Valentin Tramontina, fundador da maior empresa no segmento de ferramentas e utensílios no Brasil, iniciou suas atividades profissionais como porteiro de um prostíbulo e, de lá, ele teria sido expulso porque não sabia ler nem escrever. Com a indenização, ele montou o que hoje é esse império da Tramontina. Mas, não é bem essa a história. Não há, sequer, uma referência oficial dessa história no site da empresa, e nem em lugar algum, de que isso tenha sido verdade.
O Case de Sucesso desta edição traz, para você, a história real e inspiradora de Valentin Tramontina, o colono artesão, filho de imigrantes italianos que, em 1911, chegou à cidade de Carlos Barbosa/RS e que, ainda jovem, começou a investir suas economias em uma pequena ferraria, que fazia consertos, além da fabricação de canivetes e ferraduras.

Em 1930, a produção do negócio era modesta, contava apenas com consertos e fabricação de facas e canivetes. No ano de 1932, a empresa Tramontina começa e contar com seus primeiros colaboradores, residentes da vila que atuavam na agricultura e passaram a confeccionar facas e canivetes em seus porões. Infelizmente, Valentin Tramontina falece aos 46 anos de idade, em 1939, e quem assume seus negócios é sua mulher, Elisa De Cecco. Já em 1949, a família Tramontina passa a dividir o poder na empresa com Ruy Scomazzon, dando início à produção manufatureira.
Nos anos 50, o grupo passa a ter cerca de 30 empregados, além de representantes por todo o Estado. A fabricação de canivetes conferia à empresa grande parte do faturamento, mas, com o passar do tempo, o investimento em inovações tecnológicas deu lugar à produção de laminadores, marteletes e diversas máquinas que facilitavam a produção em série. O grupo cresce ainda mais nas décadas de 60 e 70, aumentando o quadro de funcionários e inaugurando sedes da empresa nas cidades de Garibaldi, Farroupilha e, ainda, na Bahia.
No final dos anos 60, a organização já contava com 557 colaboradores, hoje esse número chega a 7.000 pessoas. Mas foi em 1969 que a Tramontina virou uma sociedade anônima, tornando-se uma das maiores empresas de produção de ferramentas de utensílios do Brasil.
Hoje, com mais de cem anos de história, a Tramontina se consolidou com uma marca conhecida no mundo inteiro. Presidida por Clóvis Tramontina, a empresa conta com suas 10 fábricas no país e 11 unidades internacionais produzem mais de 18 mil itens para diferentes segmentos, mantendo vivo o legado de seu fundador. Valentin construiu um empreendimento sólido, forjado na dedicação, no valor do trabalho e na obstinação de entregar produtos confiáveis, com durabilidade e qualidade reconhecidas.
Já a historinha do porteiro baseia-se em um conto escrito em 1936, por Willian Somerset Maugham, que deu origem ao filme TRIO. No Brasil, o filme se chama Três Destinos, de 1950, e no conto “The Verger” traz a história do zelador de igreja que foi despedido por não saber ler nem escrever, mas acaba ficando milionário, comprando e vendendo tabaco.
Enfim, o fato é que muitos palestrantes usam essa história como forma de motivação, porém associando-a a Valetin Tramontina, que nada tem relação com isso.



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