Campos cresce em índices de consumo apesar do atual cenário de pandemia
- Cláudia Gomes

- 18 de dez. de 2020
- 7 min de leitura
O município aparece em 7ª posição no ranking estadual de maiores mercados com consumo total urbano e rural de R$ 10,2 bilhões, no estudo de previsões do IPC Maps de 2020.

Em cenário nacional, o consumo das famílias brasileiras ficará comprometido ao longo de 2020, se igualando aos patamares de 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano. A projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,465 trilhões na economia — um crescimento negativo de 5,39% em relação a 2019 —, a uma taxa também negativa do PIB de 5,89%, segundo previsão do estudo IPC Maps 2020, especializado há mais de 25 anos no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais.
Enquanto o Brasil sofre a resseção causada pelo novo corona vírus, Campos dos Goytacazes, se mantém nas melhores posições em segmentos como os de telecom, veículos próprios, alimentação e construção civil.
Veja os dados do municipio, segundo o IPC Maps de 2019/2020


Telecom: Despesas com a aquisição de aparelhos e manutenção de telefonias fixa e móvel, bem como pacotes de TV, telefone e internet.
Enquanto em 2019, foram gastos R$ 52,1 milhões no setor, em 2020 a projeção foi de R$ 156,2 milhões, ou seja, um acréscimo de 199,7% no consumo do setor.
Veículo Próprio: Despesas referentes à aquisição e à manutenção de todos os tipos de veículos automotores, incluindo motos, carros, caminhonetes, caminhões e ônibus, tais como gasolina, álcool, consertos, estacionamentos, óleos, acessórios/peças, pneus, câmaras de ar, lubrificações e lavagens.
Em 2020, houve um aumento de 262,6% no setor. De R$ 232,9 milhões gastos em 2019, subiu para R$ 844,6 milhões em 2020.
Construção Civil: Despesas com materiais e mão-de-obra para reforma de imóveis. Já em construção, houve declínio no consumo.
De R$ 388,9 milhões em 2019 caiu para R$ 310,9 milhões neste ano, uma redução de 20,1%.
Alimentação: Incluem as despesas com alimentação e bebidas no domicílio e fora dele.
Em 2019, os campistas gastaram R$ 1,7 bilhões, contra os R$ 1,3 bilhões em 2020, o que representa uma baixa de 21,4% no setor. Quanto à quantidade de empresas no setor de alimentação entre 2020 e 2019 na região, a redução foi de 29,8%.
Visão Geral de Campos dos Goytacazes
No anos de 2020
O consumo total urbano e rural: R$ 10,2 bilhões
Share de consumo: 0,22847, ou seja, para cada R$ 100 gastos no Brasil, R$0,22847 refere-se ao consumo em Campos
Ranking nacional de maiores mercados: posição 59º
Ranking estadual RJ de maiores mercados: posição 7º
Total de empresas (indústria, serviços, comércio e agribusiness):42.941
No ano de 2019
Consumo total urbano e rural: R$ 10,1 bilhões
Share de consumo: 0,21680, ou seja, para cada R$ 100 gastos no Brasil, R$0,21680 refere-se ao consumo em Campos
Ranking nacional de maiores mercados: posição 59º
Ranking estadual RJ de maiores mercados: posição 7º
Total de empresas (indústria, serviços, comércio e agribusiness): 49.950
Em depoimento exclusivo ao jornal O Negócio, Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, atribuiu os resultados do município, ao aumento de domicílios da classe B, elevando, assim o valor do rendimento médio domiciliar em 17,02% entre 2019 e 2020.

“O crescimento do potencial de consumo de Campos dos Goytacazes entre 2019 e 2020, ainda que pequeno, se deve ao aumento da quantidade de domicílios da classe B, da ordem de 7,0%, bem acima da média geral de crescimento dos domicílios urbanos, que foi da ordem de 0,9%. Esse aumento de domicílios da classe B se deve ao movimento de migração social entre as classes, pois recebeu domicílios da classe A e da classe C, ou seja, houve migração social política (deslocamento da classe C para a classe B) e também migração negativa, em uma escala menor (deslocamento da classe A para a classe B). Essa movimentação de domicílios para a classe B foi importante, pois entre 2019 e 2020 o valor do rendimento médio domiciliar da classe B aumentou em 17,2%.”,
Cenário nacional
O levantamento aponta que, a exemplo de 2019, as capitais seguirão perdendo espaço no consumo, respondendo por 28,29% desse mercado. Enquanto isso, o interior avançará com 54,8%, bem como as regiões metropolitanas, cujo desempenho equivalerá a 16,9% neste ano.
Esta edição do IPC Maps destaca, ainda, a redução na quantidade de domicílios das classes A e B1, o que elevará o número de residências nos demais estratos sociais. Para Pazzini,
“Essa migração das primeiras classes impactará positivamente o consumo da classe B2, com uma vantagem de 6,8% sobre os valores de 2019”, explica.
As outras classes, por sua vez, terão queda nominal do potencial de consumo de 2,94% em relação a 2019.
Perfil básico – O Brasil possui mais de 211,7 milhões de cidadãos, sendo 179,5 milhões só na área urbana, que respondem pelo consumo per capita de R$ 23.091,50, contra os R$ 9.916,75 gastos individualmente pela população rural.
Base consumidora – Como já citado, neste ano a classe B2 lidera o cenário de consumo, representando mais de R$ 1 bilhão dos gastos. Junto à B1, estão presentes em 20,9% dos domicílios, sendo responsáveis por 41,1% (R$ 1,7 trilhão) de tudo que será desembolsado pelas famílias brasileiras. Se para a classe média a migração da classe alta para os demais estratos é positiva, para quase metade dos domicílios (48,7%), caracterizados como classe C, o total de recursos gastos cai para R$ 1,475 trilhão (35,6% ante 37,5% em 2019). Já a classe D/E, que ocupa 28,3% das residências, consome cerca de R$ 437,9 bilhões (10,6%). Mais enxuto, em apenas 2,1% das famílias, o grupo A reduz seus gastos para R$ 528,6 bilhões (12,8% contra 13,68% do ano passado).
O mesmo acontece na área rural que, embora no ano passado tivera uma evolução significativa, neste ano perde de R$ 335,9 para R$ 319,6 bilhões.
Cenário Regional – O destaque vai para a Região Centro-Oeste que, ampliou em 7,9% sua participação no consumo, respondendo por 8,86% dos gastos nacionais. Encabeçando a lista, embora com pequenas contrações, aparece o Sudeste com 48,42%, seguido pelo Nordeste, com 18,53%. A Região Sul, que em 2019 tinha reduzido sua fatia, volta a subir para 17,97% e, por último, aparece a Norte, representando 6,23%.
Mercados potenciais – O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros equivale a 38,7%, ou R$ 1,759 trilhão, de tudo o que é consumido no território nacional. No ranking dos municípios, os principais mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo e Rio de Janeiro, seguido por Brasília, que recuperou a 3ª posição, deixando Belo Horizonte atrás. Já, Curitiba sobe para o 5º lugar, ultrapassando Salvador. Na sequência, Fortaleza, Porto Alegre, Manaus e Goiânia — esta em 10º —, ocupam os mesmos lugares de 2019. Cidades metropolitanas ou interioranas como, Campinas (11º), Guarulhos (13º), Ribeirão Preto (18º), São Bernardo do Campo (19º) e São José dos Campos (21º), no Estado paulista; São Gonçalo (16º) e Duque de Caxias (24º), no Rio de Janeiro; bem como as capitais Belém (14º), Campo Grande (15º) e São Luís (17º) também se sobressaem nessa seleção.
Perfil empresarial – Houve declínio de 13% no número de empresas instaladas no Brasil, totalizando hoje 20.399.727 unidades. Deste montante, mais da metade (10,6 milhões) tem atividades relacionadas a Serviços; seguida pelos setores Comércio, com 5,7 milhões; Indústrias, 3,3 milhões e, por último, Agribusiness, com 703 mil estabelecimentos.
Geografia da Economia – Como de costume, a Região Sudeste concentra 51,98% das empresas nacionais, seguida novamente pelo Sul, com 18,15%. Em caminho inverso, as demais regiões reduziram suas atividades: O Nordeste conta com 16,96% dos estabelecimentos, Centro-Oeste com 8,27%, e o Norte com apenas 4,65% das unidades existentes no País.
Partindo para a análise quantitativa das empresas para cada mil habitantes, o levantamento aponta uma retenção geral. As Regiões Sul e Sudeste seguem liderando com folga, respectivamente, 122,63 e 119,12 empresas por mil habitantes; o Centro-Oeste aparece com 102,17 e, ainda muito aquém da média, vêm as regiões Nordeste, com 60,30, e Norte, que tem apenas 50,77 empresas/mil habitantes.
Hábitos de consumo – A pesquisa IPC Maps detalha, ainda, onde os consumidores gastam sua renda. Dessa forma, os itens básicos aparecem com grande vantagem sobre os demais, conforme a seguir: 25,6% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 18,1% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc); 14,1% vão para alimentação (no domicílio e fora); 13,1% a transportes e veículo próprio; 6,6% são medicamentos e saúde; 3,7% materiais de construção; 3,4% educação; 3,4% vestuário e calçados; 3,3% recreação, cultura e viagens; 3,3% em higiene pessoal; 1,5% eletroeletrônicos; 1,5% móveis e artigos do lar; 1,1% bebidas; 0,5% para artigos de limpeza; 0,4% fumo; e finalmente, 0,2% referem-se a joias, bijuterias e armarinhos.
Faixas etárias – Em crescimento, a população de idosos supera a margem de 30 milhões em 2020. Na faixa etária economicamente ativa, de 18 a 59 anos, esse índice passa de 128 milhões, o que representa 60,5% do total de brasileiros, sendo mulheres em sua maioria. Já, os jovens e adolescentes, entre 10 e 17 anos, vem perdendo presença e somam 24,1 milhões, sendo superados por crianças de até 9 anos, que seguem a média de 29,4 milhões.
Segundo Pazzini, esse crescimento negativo após a pandemia cria um efeito déjà-vu, já que a economia “retomará os índices dos últimos anos em que houve um progresso vigoroso”. O especialista ressalta que no início de março, antes desse cenário de pandemia, aprevisão visava um cenário mais positiva.
“A previsão do PIB para 2020, conforme o Boletim Focus do Banco Central, era de +2,17%, o que resultaria numa projeção do consumo brasileiro da ordem de R$ 4,9 trilhões, superando os R$ 4,7 trilhões obtidos no ano passado.”, explica.
Sobre o IPC Maps
Publicado anualmente pela IPC Marketing Editora, empresa que utiliza metodologias exclusivas para cálculos de potencial de consumo nacional, o IPC Maps destaca-se como o único estudo que apresenta em números absolutos o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do País, com base em dados oficiais, através de versões em softwares de geoprocessamento. Este trabalho traz múltiplos indicativos dos 22 itens da economia, por classes sociais, focados em cada cidade, sua população, áreas urbana e rural, setores de produção e serviços etc., possibilitando inúmeros comparativos entre os municípios, seu entorno, Estado, regiões e áreas metropolitanas, inclusive em relação a períodos anteriores. Além disso, o IPC Maps apresenta um detalhamento de setores específicos a partir de diferentes categorias.



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