Preço do leite ao produtor sobe em junho e acumula alta de 33% no primeiro semestre, aponta Cepea
- 3 de ago.
- 3 min de leitura
Valorização foi impulsionada pela oferta mais restrita de matéria-prima e pela firmeza do mercado de derivados; expectativa é de estabilidade com viés de alta nos próximos meses.

O preço do leite pago ao produtor voltou a subir em junho e encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização acumulada de 33,1%. É o que revela levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), divulgado na última sexta-feira (31).
Segundo a pesquisa, o preço médio do leite cru captado pelos laticínios atingiu R$ 2,7464 por litro na chamada "Média Brasil", registrando aumento de 3,02% em relação ao mês anterior. Apesar da recuperação mensal, o valor ainda permanece 0,86% abaixo do registrado em junho de 2025, quando considerados os valores corrigidos pela inflação.
A valorização foi favorecida pela combinação entre a boa demanda por derivados lácteos e o crescimento mais lento da captação de leite em algumas regiões produtoras. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 2,76% entre maio e junho, mas ainda acumula queda de 11,4% no ano, indicando que a oferta continua abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, o Custo Operacional Efetivo (COE) teve estabilidade em junho, com leve alta de 0,24%, refletindo principalmente a redução nos custos de alimentação do rebanho.
No mercado de derivados, o comportamento dos preços foi misto. Enquanto o queijo muçarela e o leite em pó apresentaram pequenas variações positivas, o leite UHT, conhecido como leite longa vida, registrou queda de 3,07% em junho frente ao mês anterior, chegando à média de R$ 4,53 por litro.
O levantamento também aponta redução de 4,17% nas importações de lácteos entre maio e junho. Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre, o volume importado permanece 14% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Perspectivas para o mercado
Na avaliação do Cepea, a combinação entre estoques reduzidos e oferta ainda limitada mantém a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima. Com isso, a tendência é de que o mercado permaneça estável, mas com viés de alta para os preços ao produtor, enquanto a produção aumenta gradualmente ao longo do terceiro trimestre.
Preços por estado
Entre os estados que compõem a "Média Brasil", Minas Gerais registrou o maior preço médio pago ao produtor, com R$ 2,8927 por litro. Em São Paulo, a média foi de R$ 2,8350, enquanto Goiás apresentou R$ 2,7723 e o Paraná R$ 2,7710. No Rio de Janeiro, estado que não integra a "Média Brasil", o preço médio ficou em R$ 2,8043 por litro, com alta mensal de 1,71%.
Impacto para o consumidor final

Embora o preço pago ao produtor tenha aumentado, isso não significa que o consumidor verá imediatamente o leite mais caro no supermercado.
Isso acontece porque:
O aumento foi registrado no leite cru, comercializado entre produtores e laticínios. Até chegar às prateleiras, ainda entram custos de industrialização, embalagens, transporte, impostos e distribuição.
Em junho, o leite UHT (caixinha) teve queda de 3,07% no atacado, indicando que parte da alta no campo ainda não foi repassada ao consumidor.
Caso a oferta continue restrita nos próximos meses e a demanda permaneça aquecida, existe a possibilidade de reajustes graduais nos supermercados.
Na prática: o consumidor pode encontrar preços relativamente estáveis no curto prazo, mas deve acompanhar possíveis aumentos no segundo semestre.
Impacto para o pequeno produtor
Para o pequeno produtor, o cenário é mais favorável, mas exige cautela.
Os principais impactos são:
Maior remuneração pelo litro de leite, o que melhora o faturamento da propriedade.
Como o levantamento mostra que o custo operacional praticamente ficou estável, a margem de lucro tende a melhorar para quem conseguiu manter a produtividade.
A menor oferta de leite aumenta a disputa entre os laticínios pela matéria-prima, fortalecendo o poder de negociação do produtor.
Por outro lado, ainda existem desafios:
Muitos produtores ainda enfrentam custos elevados acumulados dos últimos anos.
As importações de lácteos continuam acima do ano passado, o que pode limitar altas mais expressivas nos preços internos.
Se a produção crescer no terceiro trimestre, como prevê o Cepea, a tendência é que os preços deixem de subir no mesmo ritmo.
Fonte: Cepea/Esalq-USP.




Comentários